Notícias



A música "Lotus 72D" É uma música pegajosa, que logo de cara gruda na cabeça com o primeiro verso, “Lotus, Lotus, Lotus 72 (D, D, D!)” e deixa clara a inspiração na Fórmula 1. Até mesmo a capa do single aposta nas cores da equipe britânica, amarelo (ou dourado) e preto, e reproduz até mesmo a tipografia da Lotus.

Mas o que levou um compositor brasileiro a dedicar uma música especialmente a um monoposto de Fórmula 1? Bem, a verdade é que fato de o Lotus 72D ser um grande carro de corrida era só um dos motivos. Recomendamos que você ouça a música e preste atenção na letra antes de continuar lendo.

A canção de Zé Roberto, porém, não trata do título de Fittipaldi em 1972, mas sim do Grande Prêmio do Brasil realizado no ano seguinte.

O primeiro GP do Brasil, realizado em 1972, foi como um teste: se os organizadores da Fórmula 1 aprovassem o circuito, o Autódromo José Carlos Pace tinha chances de passar a fazer parte do calendário oficial. E foi o que aconteceu em 1973, certamente no embalo do título de Emerson.

O GP de Interlagos de 1973 foi a segunda corrida do campeonato – a primeira havia sido o GP da Argentina, realizado no Autódromo Juan y Oscar Gálvez em Buenos Aires. Fittipaldi venceu no território dos hermanos e levantou a expectativa para GP do Brasil.

Imagine a importância daquela vitória: o primeiro campeão brasileiro de Fórmula 1, chegando em primeiro lugar no primeiro Grande Prêmio do Brasil no calendário oficial da categoria. Naquele momento o Brasil se sentia no centro do mundo. Não foi à toa que virou samba-rock.



LOTUS, LOTUS, LOTUS 72 (DÊ, DÊ, DÊ)

LOTUS, LOTUS, LOTUS 72 (DÊ, DÊ, DÊ)

É A MÁQUINA DO TEMPO E NA VELOCIDADE NÃO TEM IGUAL

E EM UM GRANDE TORNEIO DE CARÁTER INTERNACIONAL DE FÓRMULA 1

O NOSSO BRASILEIRO FOI CONVIDADO PARA PARTICIPAR

NA SUA CONDIÇÃO DE CAMPEÃO, DE CAMPEÃO MUNDIAL

NA NOSSA PRAÇA DE ESPORTES, EM INTERLAGOS NA NOSSA CAPITAL

SÃO PAULO, TERRA DA GAROA, COM CALOR SURPREENDENTE DE 38 GRAUS

ATENÇÃO, ATENÇÃO! FOI DADA A LARGADA PRINCIPAL, O NOSSO EMERSON NA FRENTE

ATINGINDO A VELOCIDADE MÁXIMA QUE O SEU CARRO TEM

NA CURVA DO LARANJA, ELE PAROU PARA TOMAR UMA VITAMINA

NA CURVA DO S, QUEM NÃO SABIA ESCREVER DEU UMA SAÍDA DA PISTA

NA CURVA DO COTOVELO, ELE SAIU-SE MARAVILHOSAMENTE BEM

NA CURVA DO SARGENTO, ELE COMANDAVA OS COMPETIDORES COMO UM GENERAL

E A TURMA DE FORA ESPANTADA ASSISTINDO A CORRIDA SE ORGULHAVA E VIBRAVA

COM A VITÓRIA DO NOSSO CAMPEÃO

VEM CHEGANDO A RETA DE CHEGADA, A RETA FINAL

O NOSSO EMERSON NA FRENTE

VEM DESPONTANDO E TODO MUNDO GRITAVA COM GRANDE EMOÇÃO

SALVE EMERSON 73 (SALVE EMERSON 73, SALVE EMERSON 73)

Licenças poéticas à parte, é bacana como a letra da música faz referência à excelência técnica do Lotus 72D, mas também ao traçado antigo de Interlagos, com curvas que não existem mais, e à habilidade de Fittipaldi em contorná-las.

Por mais que o atual traçado aproveite parte do traçado antigo, nossa opinião é simples: não era preciso inutilizar completamente o layout clássico do circuito, que permitia uma pilotagem mais veloz, técnica e emocionante. E inspirava músicas, como o samba-rock de Zé Roberto.

Fonte:
https://www.flatout.com.br/grande-premio-do-brasil-de-1973-a-corrida-que-virou-samba-rock/


Lotus 72D Remix